Divagações e devaneios sobre as arianisses da vida!!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O racismo e a xenofobia dos comediantes brasileiros!

Não raro aparece na televisão um comediante bosta fazendo gracinha com algo que ele não entende. Mas tem uma piada insistentemente recorrente sobre a música baiana. Começando pelo fato de que pra esse tipo de pessoa música baiana se resume a axé, essas pessoas insistem em falar que as letras são sempre vogais ou sílabas onomatopeicas. O que eu percebi, parei para prestar atenção agora que estou em Salvador, é que as letras falam muito de um povo de luta, guerreiro, esforçado. As letras versam também sobre parte da história da população negra e das religiões afro-brasileiras, além da geografia da cidade, nesse caso específico de Salvador. Talvez se eu tivesse prestado atenção antes nas letras saberia que Salvador é feita de morros e ladeiras mil, mas cheguei aqui achando que era tudo plano. E, talvez, se esses comediantes merdas fossem além dos refrões das musicas, o estereotipo do baiano preguiçoso não seria utilizado em piadas assim como "as vogais". Eles também aprenderiam um pouco da história da população negra e suas religiões e "black faces" e piadas racistas também seriam eliminadas dos repertórios. Mas...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

É bom ser invísivel!

Eu não sou de Salvador, mas acho que por ser negra as pessoas não percebem isso logo de cara. É óbvio que tem dias que passar despercebida é mais difícil, como naquele dia que o guarda sol voou na praia e tive que correr atrás dele ou então quando vou trabalhar e preciso falar palavras que tem R, como ceRveja, por exemplo. Mas cotidianamente as pessoas não me percebem, eu não sou a outra, as vezes até me perguntam se eu sou baiana (e eu queria muito ser!!!) ...é muito bom se sentir assim!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tensões de raça, gêneroe geração em Salvador!

Andando por Salvador presenciei uma cena lamentável. Um vendedor ambulante, negro, velho e provavelmente de origem humilde viu uma turista jovem, branca e loira no calçadão e imediatamente puxou um outro ambulante, também negro, velho e provavelmente humilde, pelo braço para tecer o seguinte comentário:
- Ópai ó, essa loirinha, dá pra tooodo mundo!
E os dois ficaram ali olhando (com aquela cara de assediadores que qualquer mulher conhece bem) para a bunda da moça que era coberta por um micro short costumeiro de verão. 
Inicialmente fiquei (e me mantenho) indignada com o machismo contido na cena toda, mas eu fiquei também pensando no tamanho do recalque naquele comentário.
Detalhe omitido propositalmente até agora, a moça estava acompanhada de um típico agroboy: branco, classe média, fortão.
Obviamente aqueles dois ambulantes negros nunca comeram ou iriam comer aquela mulher loira. Assim como tantos outros ambulantes que eu vejo na praia todo dia assediando diversas mulheres com uma preferência macabra por "gringas" brancas, loiras, em uma condição social melhor que a deles. O comentário foi feito meio que se escondendo do acompanhante da moça, pois se ele ouvisse as coisas não iriam ficar nada bem para os dois velhos pretos pobres que ainda não se curaram, e nem vão se curar, da síndrome de Cirilo que rege suas vidas. Para além disso ficou explícito para mim que o "todo mundo" é um "todo mundo menos eles dois", ou seja, existe um todo mundo específico, nesse caso um perfil agroboy. Aquela jovem branca NUNCA nem olharia para aqueles dois ou para qualquer coisa parecida com eles e a maneira que encontraram de se vingar disso foi colocar para fora todo o machismo que conseguiram em uma cena que não durou mais de 1 minuto, como uma espécie de compensação por serem o "não todo mundo"!!!