Divagações e devaneios sobre as arianisses da vida!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tensões de raça, gêneroe geração em Salvador!

Andando por Salvador presenciei uma cena lamentável. Um vendedor ambulante, negro, velho e provavelmente de origem humilde viu uma turista jovem, branca e loira no calçadão e imediatamente puxou um outro ambulante, também negro, velho e provavelmente humilde, pelo braço para tecer o seguinte comentário:
- Ópai ó, essa loirinha, dá pra tooodo mundo!
E os dois ficaram ali olhando (com aquela cara de assediadores que qualquer mulher conhece bem) para a bunda da moça que era coberta por um micro short costumeiro de verão. 
Inicialmente fiquei (e me mantenho) indignada com o machismo contido na cena toda, mas eu fiquei também pensando no tamanho do recalque naquele comentário.
Detalhe omitido propositalmente até agora, a moça estava acompanhada de um típico agroboy: branco, classe média, fortão.
Obviamente aqueles dois ambulantes negros nunca comeram ou iriam comer aquela mulher loira. Assim como tantos outros ambulantes que eu vejo na praia todo dia assediando diversas mulheres com uma preferência macabra por "gringas" brancas, loiras, em uma condição social melhor que a deles. O comentário foi feito meio que se escondendo do acompanhante da moça, pois se ele ouvisse as coisas não iriam ficar nada bem para os dois velhos pretos pobres que ainda não se curaram, e nem vão se curar, da síndrome de Cirilo que rege suas vidas. Para além disso ficou explícito para mim que o "todo mundo" é um "todo mundo menos eles dois", ou seja, existe um todo mundo específico, nesse caso um perfil agroboy. Aquela jovem branca NUNCA nem olharia para aqueles dois ou para qualquer coisa parecida com eles e a maneira que encontraram de se vingar disso foi colocar para fora todo o machismo que conseguiram em uma cena que não durou mais de 1 minuto, como uma espécie de compensação por serem o "não todo mundo"!!!

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